Toda cidade tem uma zona sul, norte e a zona de conforto…

•outubro 15, 2010 • Deixe um comentário

O livro Cidades Invisíveis de Italo Calvino já foi citado aqui, no post Livros sobre lugares de
julho de 2009. Este livro, o único que não sai da minha mesa de cabeceira, total lugar comum em blogs e textos de artistas e intelectuais, (eu sei) tem pérolas que não dá pra serem esquecidas.

Abaixo a descrição de Marco Polo de Fílide, em “As Cidades e os Olhos 4″, o qual li e reli para minha dormente esposa noite dessas.:

“Ao chegar a Fílide, tem-se o prazer de observar quantas pontes diferentes entre si atravessam os canais: pontes arqueadas, cobertas, sobre pilares, sobre barcos, suspensas, com os parapeitos perfurados; quantas variedades de janelas apresentam-se diante das ruas: bífores, mouriscas, lanceoladas, ogivais, com meias-luas e florões sobrepostos; quantas espécies de pavimento cobrem o chão: de pedregulhos, de lajotas, de saibro, de pastilhas brancas e azuis. Em todos os pontos, a cidade oferece surpresas para os olhos: um cesto de alcaparras que surge na muralha da fortaleza, as estátuas de três rainhas numa mísula, uma cúpula em forma de cebola com três pequenas cebolas introduzidas em sua extremidade. “Feliz é aquele que todos os dias tem Fílide ao alcance dos olhos e nunca acaba de ver as coisas que ela contém”, exclama-se, triste por ter de deixar a cidade depois de tê-la olhado apenas de relance.
Sucede, no entanto, de permanecer em Fílide e passar ali o resto dos dias. A cidade logo se desbota, apagam-se os florões, as estátuas sobre as mísulas, as cúpulas. Como todos os habitantes de Fílide, anda-se por linhas em ziguezague de uma rua para a outra, distingue-se entre zonas de sol e zonas de sombra, uma porta aqui, uma escada ali, um banco para apoiar o cesto, uma valeta onde tropeça quem não toma cuidado. Todo o resto da cidade é invisível. Fílide é um espaço em que os percursos são traçados entre pontos suspensos no vazio, o caminho mais curto para alcançar a tenda daquele comerciante evitando o guichê daquele credor. Os passos seguem não o que se encontra fora do alcance dos olhos mas dentro, sepultado e cancelado: se entre dois pórticos um continua a parecer mais alegre é porque trinta anos atrás ali passava uma moça de largas mangas bordadas, ou então é apenas porque a uma certa hora do dia recebe uma luz como a daquele pórtico de cuja localização não se recorda mais.
Milhões de olhos erguem-se diante de janelas pontes alcaparras e é como se examinassem uma página em branco. Muitas são as cidades como Fílide que evitam os olhares, exceto quando pegas de surpresa.”

Saiamos nós desta maldita zona de conforto!

Salvador esses dias….

•outubro 15, 2010 • Deixe um comentário

curitiba esses dias

•julho 22, 2010 • 3 Comentários

Mapas de New York..

•julho 2, 2010 • Deixe um comentário

Que a cidade de New York é uma das mais visitadas do mundo, uma babilônia com gente de tudo quanto é canto, vanguarda da miscelânia até eu que nunca fui já sei. Mas isso se deve uma série de fatores : da colonização até a série de filmes rodados na cidade. Outro fator muito legal é a variedade de “Nova Yorkes” que podemos visitar, (como podemos ver no mapa do post Mapa > Landmarks > Fotos > mapa de novo…. ). Um casal de amigos vai para lá para ver as galerias mais descoladas do mundo, outro para dançar nas baladas mais loucas, ja outra amiga para ver as últimas tendências da moda e fazer compras, e ainda tem uma amiga que quase só foi na Brodway.

Uma das ferramentas usadas pela cidade para isso é a criação de inúmeros roteiros e consequentemente mapas, mapas e mais mapas..
Ultimamente tenho visto muitos deles pela internet, cada um com um recorte, bares de jazz, novas cervejarias, etc. Destes guardei dois: um novo mapa do metrô, uma aula de design da informação, simplificação e otimização…O outro mapa, este sim turístico, mostra as regiões de comida da cidade. De comida da Costa do Marfim a Peruana, passando pelas Guianas e Senegal, o roteiro apresenta diversas opções : dá pra dar a volta ao mundo ali, ótimo para fazer um roteiro gatronômico..

Bom apetite!

The Next Generation Foundation Map of Creativity…

•junho 17, 2010 • Deixe um comentário

Do Blog The Campus Experience (de Rafael Villas Bôas):

Simplesmente Incrível! Mais uma referência de acelerar o cardiograma e mandar  a pressão  pras nuvens!… foi uma noite tão insone quanto aquela em que descobrimos o TED.

A Next Generation Foundation é uma ONG iniciada por Kjeld Kirk Kristiansen, CEO da Lego Company. O propósito da iniciativa é explorar a idéia de que as crianças são uma enorme fonte de recursos criativos da humanidade, ainda  não descoberto na sociedade moderna, que seu potencial precisa ser liberado, e novas oportunidades para o aprendizado infantil, criatividade e diversão devem ser desenvolvidos e encorajados no século 21. Os resultados são realmente assombrosos e objetivos.

De todos os projetos da NGF dois se destacam.  O projeto Making Playful Learning Visible, algo como Tornando Visivel o Aprendizado por meio da Bricadeira, visa ajudar os pais a enchergar  as muitas maneiras por meio das quais seus filhos aprendam.

Os pais ou responsáveis, muitas vezes acumulam uma grande quantidade de observações sobre seus filhos, mas suas observações raramente são rigorosa. O projeto tem sido extremamente bem sucedidos em fornecer aos pais as ferramentas necessárias para transformar as suas observações em dados utilizáveis – dados que podem ser comparados, analisados e usados. Por meio de câmeras de vídeo e e celulares os pais registraram suas observações que foram catalogadas e transformadas em um banco de dados e ferramenta de busca.

O Mapa da Criatividade é ainda mais legal, em nossa opinião… e foi nele que estivemos das 24h00 as 6h00 dessa madrugada.

Uma interface amigável para um banco de dados interativo de projetos educacionais inovadores em todo o mundo.

Quer ver alguns dos mais interessantes projetos educacionais do mundo ?

Navegue para o conteúdo que fala com seu coração…

Você sabe de um projeto inovador para apoiar a criatividade, a aprendizagem, ou a diversão? Coloque-a no mapa!

E amanhã me diga se você dormiu essa noite!

http://www.ngf.org.uk/map/map.html

Obrigado Rafa, ótimo post!

A compra de livros pelo mundo – AO VIVO

•junho 14, 2010 • Deixe um comentário

O site The Book Depository, site de venda de livros ao redor do mundo, criou um mapa muito bom para divulgar sua nova promoção.

A idéia é a seguinte: para promover a venda de livros sem taxa de entrega para qualquer lugar do mundo, o site criou, juntamente com o Google Maps, um mapa que mostra minuto a minuto os livros que vão sendo comprados, todos sem taxa.

Muito bom para ver o que as pessoas estão lendo ao redor do mundo, e  não lendo no Brasil.

http://www.bookdepository.com/live

Mapa > Landmarks > Fotos > mapa de novo…

•junho 10, 2010 • 1 Comentário

No desenvolvimento de mapas e rotas de wayfinding e visitação de um espaço é muito difícil a definição de quais pontos são de real interesse do usuário. Alguns autores, como Kevin Linch (no livro “A Imagem da Cidade”) e M. RAULBAL  & S. WINTER no artigo “Enriching Wayfinding Instruction with Local LandMarks” de 2002 desenvolveram formas de consulta aos usuários para definir tais pontos, rotas e afins.

Porém, ao mudar o ambiente e consequentemente seus usuários, muitas vezes esses métodos encontram problemas. Além disso, parar o processo de “desenvolvimento criativo” para realizar uma profunda e extensa análise com usuários muitas vezes se mostra caro e assusta as empresas de design que poucas vezes se preocupam com a assertividade de seus projetos.

Recentemente, Eric Fischer criou um atlas chamado The Geotaggers’ World Atlas com tags gerados a partir da quantidade de fotos tiradas em um determinado lugar e publicadas nos sites Flickr e Picasa. O resultado são mapas de cidades com landmarks evidenciados por estes tags.

Mapa de São Paulo

Mapa de Nova York

A evolução deste projeto foi a separação dos tags entre os diferentes usuários da cidade. As linhas azuis indicam fotos tiradas por locais, as vermelhas por turistas e as amarelas são as que não foram possível definir se eram locais ou turistas. A partir desses mapas, observamos onde as pessoas mais passam (ou pelo menos tiram fotos) e onde os turistas mais frequentam. Isso  ajuda muito o desenvolvimento de um projeto de sinalização e divulgação de diferentes espaços nas cidades.

Se compararmos os mapas de diferentes cidades conseguimos definir quais têm mais turismo e quais os perfis dos turistas e moradores destas cidades.

Uma ótima ferramenta, vale conferir.

http://www.flickr.com/photos/walkingsf/sets/72157624209158632/

O preço da cervejinha

•maio 11, 2010 • 1 Comentário

Em uma campanha muito boa (twittada pelo @leowaiss) a agência Olgivy e os bares Aurora e Boteco Ferraz fazem os consumidores pensarem melhor se dirigir depois da balada vale a pena. O trânsito, a rua, a cidade e a imagem dos botecos saem ganhando. Muito bom!

Mapa da felicidade

•maio 7, 2010 • Deixe um comentário

O HPI (Happy Planet Index) é um índice que avalia e correlaciona o grau de bem-estar e felicidade de uma comunidade e sua eficiência ecológica.

É o primeiro índice que  combina o impacto ambiental com o bem-estar para medir a eficiência ambiental com a qual o país oferta às pessoas vidas longas e felizes. O HPI mostra que não há relação entre o consumo excessivo de certos países e suas capacidades de produzir altos níveis de bem-estar. Abaixo mapa mostrando scores de cada país, para ve-lo clique no mapa e passe o mouse sobre os países.. ( a propósito somos o 9º mais feliz!)
Happy Planet Index (HPI)

Vendo essas relações de consumo e índice de felicidade me lembrei de um projeto antigo, lugar-comum na web, mas que fica interessante se visualizado junto ao do HPI, que mostra quanto diferentes familias consomem ao redor do mundo em uma semana.

E o Chad tem um índice de felicidade (34,27) maior do que o norte-americano (30,73)…vai entender!

Trânsito X pontos de vista

•maio 6, 2010 • 3 Comentários

Em abril estive em Amsterdam e dentre as diferenças culturais, a que mais me chamou a atenção foi a clareza das regras. É impressionante como isso melhora o cotidiano de todos.

Nos transportes a clareza das regras é gritante: um ticket de tram (bonde) dá direito a uma hora de transporte. Não há cobrador e você entra, valida seu ticket ou não. O mesmo ocorre no trem, para o qual você compra a passagem em um totem automatizado e, “corre o risco” de ver um cobrador validando seu passe. As pessoas respeitam as regras e ponto, independente de saber se o cobrador vai passar ou não.

Já para os carros – não muitos – as pistas de mãos opostas são separadas pelas pistas dos trans, quase como nossas canaletas, aumentando a segurança. Além disso, os sinais são compostos por luzes e cronômetros, para que quem espera saiba quanto falta para poder ir. Fica claro, pela sinalização e aparição do tempo restante, que não vale a pena “furar”, já que os sinais duram menos de um minuto.  A acessibilidade também é surpreendente: todos os sinais contêm marcadores sonoros.

Sim, a capital das bicicletas pensa, e muito, nos outros meios de transporte.  O Relatório ADONIS, de 1998, mostra que 47% da população da cidade anda a pé ou de bike, enquanto 34% usam o carro. Isso, entre outras coisas (como hábitos alimentares) faz com que o índice de obesidade do país seja de 8%, contrapondo aos 34,3% de norte-americanos obesos.

São diferentes pontos de vista.  Nos EUA, incentivar o transporte é facilitar o crédito para aquisição de veículo próprio e cobrar U$ 0,54 no litro da gasolina (na Holanda é U$ 1,62). Aqui em Curitiba, as ruas são alargadas e o número de pistas aumentam constantemente. A Rua André de Barros, por exemplo, central e com um amplo comércio, perdeu quase metade de cada uma de suas calçadas para desafogar o trânsito. Sem contar o grande incentivo de compra que fez com que a população automobilística no Brasil mais que duplicasse nos últimos 10 anos.

Isso é crescimento ou obesidade social?!

 
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